Quem escolhe ser feliz nunca mais é triste
- André Cally
- 9 de jan.
- 2 min de leitura
Uma leitura psicanalítica sobre maturidade emocional
Por André Cally

À primeira leitura, a frase pode causar um estranhamento necessário. Como alguém que escolhe ser feliz poderia nunca mais ser triste? Não seria essa uma negação da dor, das perdas e das faltas que estruturam a experiência humana?
A resposta é não.
Do ponto de vista psicanalítico, tristeza e felicidade não são opostos diretos. A tristeza é uma emoção legítima e, muitas vezes, o único caminho para a elaboração de uma perda. O que adoece o sujeito não é o sentir tristeza, mas o permanecer nela como identidade.
A Armadilha da Identificação
A maior parte das pessoas não sofre apenas pelo que vive, mas pela forma como interpreta o que sente. Elas confundem emoção com essência.
Sentem tristeza e concluem: “sou infeliz”.
Vivenciam uma falta e passam a se definir pelo buraco que ficou.
Na psicanálise, compreendemos que o sofrimento se torna patológico quando o sujeito perde o contato com o próprio desejo. Quando ele silencia suas dores para atender expectativas externas, a tristeza deixa de ser um fluxo transitório e passa a ocupar o lugar de morada psíquica.
"Escolher ser feliz não é buscar prazer constante ou cair na armadilha da positividade tóxica. É uma escolha psíquica profunda: a decisão de não se abandonar emocionalmente, mesmo diante do caos."
O Eixo da Maturidade
Quem faz a escolha pela felicidade madura aprende algo fundamental: a tristeza vem, mas ela não domina.
Nesse lugar de consciência, o sujeito não luta contra a tristeza, nem a evita com distrações baratas. Ele a escuta. Ele a integra. Ao simbolizar a dor, ele impede que ela se transforme em amargura crônica ou em autossabotagem.
A felicidade madura não é feita de euforia. Ela é coerência interna. É a capacidade de sustentar o peso da realidade sem perder a dignidade emocional. É atravessar frustrações sem romper com a própria identidade. É compreender que a vida não deve satisfação constante ao nosso ego, mas oferece sentido quando há presença.
O Fim do Abandono de Si
Nesse contexto, a tristeza deixa de ser uma ameaça de aniquilação e passa a ser parte do caminho.
Quem escolhe ser feliz entende que existir envolve limites e imperfeições. Ainda assim, escolhe permanecer responsável por si e pelo que constrói. Por isso, nunca mais é "triste" no sentido adoecido da palavra.
Nunca mais se perde no labirinto da dor.
Nunca mais entrega o controle do seu mundo interno ao externo.
Nunca mais se abandona.
A felicidade, aqui, é uma posição psíquica. É a escolha diária de sustentar o próprio desejo e não transformar o sofrimento em destino. Quando essa escolha é feita, a tristeza pode até bater à porta — mas ela nunca mais encontra lugar para ficar.

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